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  • Autora: Gretchen Reynolds
  • Traduzido do The New York Times
  • 23 de Dezembro de 2015

Artigo Original

O tema mais persistente em ciência do exercício no ano de 2015 foi que para viver mais, envelhecer bem e manter uma mente ágil e um cérebro em forma devemos ser fisicamente ativos, mas não das maneiras ou por tanto tempo quanto muitos de nós pode achar.

Certamente, a pesquisa sobre exercícios mais encorajadora desse ano focou nas ligações entre exercícios regulares e melhorias no nosso pensamento e na estrutura cerebral. Eu já havia escrito com frequência em anos anteriores sobre como exercício – geralmente corrida, especialmente em estudos com animais – aumenta o número de novos neurônios no cérebro e aguça as habilidades de pensar e do humor, especialmente conforme envelhecemos.

Mas neste ano, o interesse entre cientistas na relação entre exercícios e saúde do cérebro atingiu um limiar crítico. Muitos dos novos estudos destacaram caminhos previamente inexplorados nos quais o exercício muda nossos cérebros e mentes. Um dos meus favoritos foi um estudo de escaneamento do cérebro no qual cientistas japoneses descobriram que cérebros de homens mais velhos que se exercitavam eram quase tão eficientes quanto os cérebros de pessoas jovens.

Esse achado significou, na prática, que o cérebro de homens que praticavam exercícios aeróbicos usaram menos recursos durante o pensamento do que os cérebros de homens fora de forma da mesma idade, tanto quanto um corpo em forma pode usar menos energia para executar a mesma tarefa física comparado a um que é menos treinado. Eu posso, todavia, acrescentar mais visitas à minha academia na minha rotina, já que vários estudos esse ano procuraram saber, pela primeira vez, se e como o treino de força e músculos fortes afetam o cérebro.

Em um desses estudos, mulheres mais velhas e saudáveis que completaram um programa de treinamento de resistência leve durante um ano, duas vezes na semana, apresentaram lesões menores e menos frequentes na matéria branca do cérebro quando comparadas a mulheres da mesma idade que completaram um treinamento de alongamento e equilíbrio ou frequentaram a academia somente uma vez na semana.

A matéria branca conecta e transmite mensagens entre diferentes porções do cérebro, sendo crítica para a memória e o pensamento. Outro estudo sobre saúde muscular e efeitos para o cérebro alcançou um resultado similar. Eu achei esse estudo particularmente intrigante, pois analisou gêmeos (eu sou irmã gêmea, embora não seja idêntica). Gêmeos são úteis para estudos sobre exercícios, já que dividem muitos dos mesmos genes e, geralmente, o mesmo ambiente familiar quando são crianças e adolescentes, permitindo aos cientistas um melhor controle desses fatores.

Nesse estudo, pesquisadores britânicos utilizaram uma ampla base de dados de informações sobre a saúde e os hábitos de pares de gêmeas fraternas e idênticas, comparando a força muscular das pernas de uma das gêmeas – uma boa medida da saúde geral do músculo – com suas habilidades cognitivas 10 anos mais tarde. E quanto mais fortes eram as pernas da gêmea, melhor, em geral, era sua performance em testes cognitivos.

Ainda mais interessante: quando os cientistas escanearam os cérebros de algumas das duplas de gêmeas idênticas envolvidas no estudo, eles descobriram que se uma gêmea tivesse tido pernas mais fortes do que sua irmã uma década atrás, ela agora tenderia a ter um volume cerebral significativamente maior  e menos “espaço vazio em seu cérebro” do que sua irmã, de acordo com o autor do estudo. Eu e minha irmã gêmea estamos competindo para ver quem visita a academia com mais frequência.

É claro que nem todos os estudos importantes na área de ciência do exercício envolveram o cérebro. Um desses estudos concluiu que atividade física de qualquer tipo e em quase qualquer quantidade pareceu manter as pessoas fisiologicamente jovens por reduzir o desgaste e o encurtamento de seus telômeros – pequenas tampas orgânicas nas extremidades dos nossos cromossomos, como se fossem a pontinha plástica nas extremidades do cadarço do tênis.

Telômeros geralmente reduzem em comprimento com a idade e, dessa forma, as funções das células contidas nesses telômeros ficam mais lentas e degradam-se. Telômeros curtos indicam que uma célula é biologicamente velha, não importando sua idade cronológica. Cientistas já consideraram que pouco poderia ser feito naturalmente para retardar o encurtamento dos telômeros e o envelhecimento das células.

Mas nesse estudo, pesquisadores descobriram que pessoas que praticaram qualquer atividade física, de caminhadas até levantamento de pesos enquanto praticavam jardinagem, geralmente tinham telômeros mais compridos do que aquelas que eram completamente sedentárias e que quanto mais atividades diferentes essa pessoa tivesse praticado, mais longos seus telômeros tendiam a ser.

A coluna mais popular que eu escrevi esse ano, contudo, considerou novos estudos que examinaram precisamente a quantidade de exercícios que devemos praticar  para viver uma vida mais longa e saudável.

A resposta é que qualquer quantidade de exercício, não importa o quão modesto, irá provavelmente diminuir o risco de alguém ter uma morte prematura, mas a dose ideal de exercício parece ser em torno de uma hora por dia de exercício moderado, como caminhadas, e uma quantidade menor se aumentarmos a intensidade do treino e transpirarmos. Se isso ajuda a te inspirar, outro estudo esse ano descobriu que em dias que nos exercitamos, também estamos muito menos propensos a não tomar uma cerveja.

Feliz Ano Novo!

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